Comunicado Oficial FNAEBS – Esclarecimentos relativos ao Exame Final Nacional de Matemática A (635)

Exmo. Sr. Ministro da Educação, Dr. Tiago Brandão Rodrigues,
Exmo. Sr. Secretário de Estado da Educação, Dr. João Costa,
Exmo. Sr. Presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Avaliação Educativa, I.P., Dr. Hélder de Sousa,
Na sequência de notícia apresentada no Público online, a 28 de junho, intitulada “Matemática A: IAVE diz a professores para corrigirem de forma diferente da prevista no exame”, seguida do Comunicado de Imprensa emitido pelo Instituto de Avaliação Educativa, I.P. (doravante IAVE), a 29 de junho, a Federação Nacional de Associações de Estudantes do Básico e Secundário (seguidamente designada FNAEBS) vem, por este meio, na representação dos seus associados, Associações de Estudantes, mas também de todos os alunos e, especialmente, daqueles que realizaram o Exame Final Nacional de Matemática A (635) no passado dia 25 de junho, demonstrar o seu desagrado face ao esclarecimento transmitido pelo IAVE aos professores classificadores no âmbito do desempenho da sua tarefa de avaliação.
Considerando o ponto 3 do Comunicado de Imprensa divulgado pelo IAVE, o carácter provisório da versão de trabalho dos critérios de avaliação é “(…) uma medida que está alinhada com as melhores práticas internacionais em matéria de classificação de provas de avaliação externa, e que tem como principal objetivo a salvaguarda da equidade, da fiabilidade da classificação, da validade dos resultados, e, em última instância, a salvaguarda do superior interesse dos alunos.”. No entender da FNAEBS, nesta circunstância, os objetivos desta medida são pelo IAVE contrariados visto que igualam alunos que fizeram cumprir as instruções explicitas no enunciado do exame a alunos que, por desconhecidas razões, não efetuaram o pedido de forma a obterem a classificação estabelecida.
Já no ponto 5 do documento publicado pelo IAVE a 29 de junho de 2018, é admitido que “(…) nos critérios de classificação não estão definidos quaisquer procedimentos ou instruções que se apliquem à situação descrita.”. Mesmo tendo em conta a versão de trabalho inicial dos critérios de avaliação e a necessidade de resolução desta situação, não avaliamos o procedimento tomado como correto dado que, independentemente da possibilidade de 100% dos alunos não terem agido de má-fé, esta medida não vai de encontro à salvaguarda dos interesses dos alunos pelo que só reforça uma situação de desigualdade para com todos aqueles que cumpriram as instruções dadas.
Ainda no ponto 8 do mesmo Comunicado, o IAVE explica que “(…) não podemos aceitar que os alunos em situação de exame, não cumprindo uma instrução, mas ainda assim produzindo uma resposta válida e tendo consumido tempo na sua elaboração, possam ser prejudicados.” A 17 de outubro de 2017, o IAVE lança a Informação – Prova do Exame Final Nacional de Matemática A (635) seguido de um outro documento esclarecedor intitulado como “Informação Complementar” ( http://www.iave.pt/images/FicheirosPDF/Docs_Avalia%C3%A7%C3%A3o_Alunos/Info-provas/IP_MatA635_2018_Inf_complementar.pdf ) em que, neste último, apresenta modelos de itens em alternativa tendo em consideração a sua resolução através da distinção de programas. Distinção esta conhecida pelos docentes de matemática A e transmitida pelos mesmos aos respetivos alunos.
Analisando esta situação de forma quantitativa, conclui-se que, respondendo a ambas as questões múltiplas, os alunos terão 43,75% de probabilidade de obter total cotação. Paralelamente, um aluno que identificou a resposta a um único item em alternativa, terá apenas 25% de probabilidades de acertar a resposta.
Resta-nos questionar o seguinte: o IAVE não pode aceitar que haja alunos, em situação de exame, que não cumpram uma instrução e que sejam, consequentemente, prejudicados; mas aceita que haja alunos, também em situação de exame, que cumpram as devidas indicações e sejam desvalorizados?
É, portanto, no superior interesse dos alunos, que a FNAEBS lamenta a situação criada para milhares de alunos que, consequentemente, veem o seu trabalho desenvolvido durante três anos ser depreciado conjuntamente a uma clara injustiça em relação ao acesso ao Ensino Superior ou conclusão de disciplina.
Fátima Pinho
Presidente da Federação Nacional de Associações de Estudantes do Básico e Secundário (FNAEBS)