Peso dos exames no acesso ao ensino superior está a “perverter” o percurso no secundário

João Guerreiro, presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, conta que em breve esteja garantido o acesso equitativo dos estudantes do ensino profissional ao superior. Mais longe estará uma mudança no modelo que dá protagonismo aos exames nacionais.

 

Garantir o acesso equitativo dos estudantes do ensino profissional ao superior é um dos desígnios do presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, João Guerreiro. Numa altura em que cerca de 45% dos alunos do secundário frequenta uma via profissionalizante, o país não pode insistir num modelo desenhado quase em exclusivo para quem seguiu as vias científico-humanísticas, entende.

O antigo reitor da Universidade do Algarve antevê ainda que no futuro seja possível encontrar um novo modelo para o concurso nacional de acesso. Não será para já. Por isso, insta a instituições a focarem a atenção nas diversificações da oferta para novos públicos.

Este ano houve menos 3146 candidatos ao ensino superior, depois de quatro anos de aumento. Há quem aponte os exames nacionais como causa da descida. Concorda com esta dependência?

Há várias razões por detrás desta baixa. Julgo que a dificuldade do exame de Matemática pode ter contribuído, mas não é a principal. A dificuldade atingir a totalidade dos alunos. E há outros factores: o facto de haver menos alunos no ensino secundário do que em anos anteriores; o facto de ter aumentado o emprego jovem nos últimos meses, sobretudo ligado ao turismo e aos serviços. E também, sabendo que até este momento o concurso nacional de acesso esteve quase só vocacionado para os cursos científico-humanísticos, quando o número de alunos nos cursos profissionais aumenta, o número de jovens que estão na antecâmara do concurso nacional baixa.

Concorda com o actual modelo de acesso ao ensino superior?
A Comissão Nacional de Acesso tem estudado alternativas. É um modelo que está formatado há 20, 30 anos. É um modelo que não tem mecanismos para promover a entrada dos diplomados com cursos profissionais ou com cursos artísticos especializados.

Concorda com o peso que actualmente os exames têm no acesso ao superior, para os alunos que concorrem no concurso nacional?
A legislação prevê que o acesso ao ensino superior possa ser organizado pelas instituições ou baseado nas classificações do ensino secundário. As instituições do superior têm tido alguma comodidade, porque utilizam os resultados do secundário. E o secundário tem contestado – se calhar com razão – porque a certa altura não são valorizados os referenciais do secundário, mas sim a preparação para os exames.

Nós já conseguimos garantir acesso a um número relativamente interessante de jovens sem passar pelo concurso nacional de acesso e, de certa forma, fazendo alguma distinção entre aquele que é o percurso do secundário e o do superior. Mas até agora não há uma solução [para o ensino regular]. Andamos a estudar, porque isso nos preocupa. De certa maneira, actualmente estamos a perverter aquilo que é o percurso no secundário – principalmente nos últimos anos do

 

Artigo completo em:

https://www.publico.pt/2018/09/09/sociedade/noticia/peso-dos-exames-no-acesso-ao-ensino-superior-esta-a-perverter-o-percurso-no-secundario-1843309

 

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